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Você decide: vale a pena sair do emprego?

Planejamento financeiro e metas bem definidas são essenciais para a mudança.

Clara Massote

No mercado de trabalho a regra nem sempre é clara quando se trata de demissões. Tudo bem, pode ser que os participantes do jogo saibam muito bem que estão sujeitos às oscilações da economia, às tendências de emprego ou ao temperamento do chefe. Mas quando é o próprio jogador, ou seja, o trabalhador, que deseja mudar de emprego, não há manual ao qual recorrer.

Difícil saber como e quando fazê-lo, pois se trata de uma decisão que envolve um risco considerável. E na maioria das vezes o funcionário nem mesmo tem certeza de que quer, de fato, abrir mão de seu posto. É o que afirma o consultor de carreiras João Mendes de Almeida, da Vicky Bloch Associados. "Antes de qualquer decisão, o profissional deve olhar para si mesmo. O que o deixa descontente? Oque ele quer? Quais são suas competências?", diz. De acordo com Almeida, grande parte dos profissionais que deseja mudar de emprego sente que está com a carreira estagnada e deixou de aprender com o trabalho. "Esta situação deixa qualquer um infeliz, ávido por mudanças." Auto análise. Neste caso, a pergunta que o funcionário deve fazer a si mesmo é "Se eu continuar neste posto, quanto vou contribuir para meu crescimento profissional?".

"Observe os critérios de promoção da empresa,veja se há um plano de carreira. Se as oportunidades forem pequenas, é hora de pular fora", pondera Almeida.A dinâmica do ambiente de trabalho também deve ser analisada. "Esteja atento aos feedbacks da chefia e dos outros funcionários. Você costuma ser consultado antes das decisões? O fato de ser, ou não, chamado para as reuniões também reflete a relevância de sua presença." Se a vontade de deixar o emprego for mesmo concreta, comece a pensar sobre o que deseja mudar realmente. Posto? Empresa? Área de atuação? "Lembre-se de que quem parte em busca de um emprego novo deve estar seguro de suas competências", argumenta o consultor. Alguns mitos relacionados à mudança de emprego não passam de paradigmas antigos, avalia Almeida. "Dizem que o melhor momento para procurar emprego é quando já se está empregado. Isso não é verdade. Quem está trabalhando tem menos disponibilidade de horário e maiores chances de se expor (no trabalho)", avalia.A história de que o chefe não deve saber de suas intenções também não deve ser seguida à risca.

Daniela Delbin, coordenadora de RH, trabalha na mesma empresa há quatro anos,
Mas já decidiu procurar outro trabalho. "O escritório é pequeno e, quando percebi que já não tinha mais como me desenvolver aqui dentro, a primeira coisa que fiz foi consultar meus chefes", relata. Como conhecia bem os valores da empresa a liberdade de que dispunha lá dentro, se sentiu à vontade para abrir o jogo e pedir orientações aos seus superiores. "Eles entenderam e me apoiaram. Estão até mesmo me ajudando com alguns contatos de outras empresas." Cautela. Almeida lembra, porém, que é preciso cautela antes de tomar essa iniciativa. E, mesmo que seu chefe seja compreensivo, não é preciso passar a notícia para outros funcionários. Uma vez acertada sua saída, é hora de olhar o mercado.

Para se situar, retome sua lista de contatos próximos, "pessoas de confiança, amigos mesmo",como cita o consultor. Em vez de sair distribuindo currículos por aí, ligue para conhecidos da área, marque um café e converse sobre suas intenções. "Seu network é um bem precioso na hora de procurar um emprego." Lembre-se também que uma saída conflituosa da empresa pode afetar suas intenções. Mantenha boas relações com o ex-chefe. Outro ponto importante: antes de sair da empresa faça um planejamento financeiro para os meses em que ficará desempregado. "Qual o fôlego de seu orçamento? Você deve se planejar para passar, em média, seis meses sem receber salário", sugere Almeida. Não se trata de pessimismo, mas de segurança. "A pior situação é a de quem está desesperado", pontua.



Fonte: O Estado de São Paulo